semana de 22 de março

1. NA TV

Há um novo talento nos talk shows do late night: o comediante inglês James Corden estreou na CBS na segunda, substituindo Craig Ferguson (Late Late Show). Engraçado, com Tom Hanks de convidado, ele também apresentou os pais no seu primeiro dia e bateu Seth Meyers (NBC) na audiência, fazendo 1.66 milhões, 17% mais alto que a média anterior.  Da mesma “escola” que Fallon, na quarta Corden convidou a audência a interagir com ele nas diversas mídias sociais com um deboche: https://www.youtube.com/watch?v=in-QSONsfGk

Better Call Saul é nº 1 de ficção na segunda na TV a cabo (se incluirmos non-fiction, o ranking é liderado por Love & Hip Hop do VH1). Terça é sempre liderada por NCIS (CBS) e nesta última teve finale de Mindy Kaling, que deve ser cancelada pela Fox por causa da baixa audiência. Catfish (MTV) é líder da quarta na TV a cabo (terá produção local no Brasil este ano), enquanto que na TV aberta a Fox perdeu cerca de 30% de audiência sem Empire. O basquete universitário na CBS continua afetando a audiência de Scandal e Blacklist na quinta (ABC e NBC), fazendo com que as duas séries perdessem quase 2 milhões cada (o basquete está fazendo 16% share, uma das maiores audiências do campeonato em mais de 20 anos para a CBS e ganharam a noite).

Na sexta de manhã, o The View comemorou seu 4000º episódio, com o retorno de Barbara Walters e Joy Behar, duas apresentadoras originais. Muitos clips de melhores momentos, camisetas para a platéia e o lançamento de um concurso sobre a história do programa.

Hoje tem Kids Choice Awards da Nickelodeon e pela primeira vez ao vivo em vários canais da Viacom: Nickelodeon, TeenNick, Nicktoons e TV Land, mais o streaming em Nick.com e the Nick App. E depois do show ao vivo, as reprises vão estar até mesmo no CMT. Apresentado por Nick Jonas, a Nick anuncia a participação de Emma Stone, Jamie Foxx, Liam Hemsworth, Grant Gustin, Nick Cannon, Josh Gad, Kaley Cuoco-Sweeting e a estrela do YouTube, Bethany Mota.

No domingo que vem, após o finale de Shameless, uma pré-estréia da comédia que ia ser protagonizada por Phillip Seymour Hoffman, Happyish, no Showtime. Hoffman foi substituído pelo hilário Steve Coogan, que refilmou todas suas cenas. Ainda no elenco estão Bradley Whitford e Ellen Barkin como convidada. A série é irônica, inteligente e pretende responder à pergunta: o que uma pessoa precisa para ser realmente feliz? Estréia oficialmente em 26 de Abril, fazendo dobradinha com Nurse Jackie.

E por fim, um episódio novo do quadro EW! (Jimmy Fallon de adolescente), desta vez com Ariana Grande. https://www.youtube.com/watch?v=FSNasZ5W_8A

2. NOTICIAS

Até uns 2 anos atrás, Deadline era a coluna de TV mais confiada em Hollywood –muito por causa de sua editora, a polêmica Nikki Finke.  Na terça o Deadline virou notícia pela primeira vez desde a saída de Nikke Finke da coluna, quando publicou um artigo assinado pela nova editora, Nellie Andreeva,  tratando de outro tema polêmico, “diversidade”. O artigo falava do casting de negros nas recentes produções e tinha o título de“The Year Of Ethnic Castings – About Time Or Too Much Of Good Thing?”. Provocou a ira e revolta de meio mundo hollywoodiano. O Vulture compilou as 13 piores frases do artigo.

Nota sobre a cultura americana: dois assuntos são completamente tabus e “intocáveis” entre americanos, racismo e 11 de Setembro. 9/11 por causa do “atroz ataque à liberdade”; já o racismo por vários motivos, que vão desde culpa à violência da polícia e o racismo dos próprios negros.

O marketing promocional em volta de Mad Men está onipresente. On Air, online e off air com volume e criatividade. Mas como esta série mudou a história da TV a cabo nos EUA, é justo que termine com fanfarra (foi Mad Men que colocou AMC no mapa e provou que boas histórias poderiam ser contadas fora da HBO. Bastou uma série apenas, que foi seguida por Breaking Bad). Duas grandes matérias no NYTimes: uma reflexão de Jon Hamm e outra conversa entre Matthew Weiner e a personagem Sally Draper, Kiernan Shipka.
E mais promoção inteligente fora do ar: uma escultura inspirada na abertura da série foi inaugurada no Rockefeller Center na frente do Time Life Building, sede da Sterling Cooper and Partners, a agência fictícia em que Mad Men é centrada. http://new.pentagram.com/2015/03/new-work-mad-men-monument/

HBO e Vice (o grupo de mídia dedicado a millenials que não para de atrair investidores)  fecharam um novo acordo de conteúdo para os próximos 4 anos e que prevê o lançamento de um jornal Vice diário (5 meias horas por semana, 48 semanas por ano) e aumenta o número de episódios da série Vice de 14 para 35 por ano.

O super empresário de mídia na internet, Richard Rosenblat (era chairman de MySpace quando a vendeu para a Fox em 2005 por 580 MM dólares) está lançando o aplicativo Whipclip, para os fãs de televisão que querem compartilhar clips de seus programas preferidos. O aplicativo funciona como um mini-DVR no telefone. Enquanto você assiste ao programa, ele guarda os últimos 3 minutos de vídeo, que podem ser cortados e compartilhados em redes sociais. No acervo, mais de 90 séries.

Uma notícia do Variety informa que uma co-produção entre o Canadá e Brasil para a Fox está sendo filmada no Rio. Chama-se Rio Heat e é a primeira produção internacional no Brasil a gerar um filme e uma série de TV.  Com Harvey Keitel no elenco, o filme é dirigido por Stephen Campanelli e a série de TV, por Jon Cassar (de 24). Deve entrar no ar no Canal Fox em 2016.

Apple TV passou a oferecer três ótimos novos canais: TED Talks (sobre as conferências TED), Tastemade (sobre comida e viagens) e Young Hollywood (entrevistas com celebridades). Com as adições, Apple TV tem agora mais de 50 canais.

O amor que a Africa tem por telenovelas tornou o terreno extremamente fértil para o lançamento do novo canal Romanza+Africa esta semana no Kenya. O canal é fruto de uma JV entre Azteca e Cisneros, já foi lançado em territórios menores e agora chega para 4.5 milhões de lares. A programação será em inglês e 24h de novela.

3. DESENVOLVIMENTO

A NBC anunciou o desenvolvimento de uma série documental de non-fiction de Ellen DeGeneres sobre “first dates” (as primeiras saídas de um casal em potencial). Serão 8 episódios Ellenparece ser a nova Oprah, com um império que não para de crescer. Ellen’s Design Challenge estreou no começo do mês no HGTV com um super sucesso (uma das maiores audiências do HGTV colocando o canal no Top 10 nos 3 episódios que foram ao ar); Repeat After Me (pegadinhas com celebridades) está fazendo 3/4 milhões na ABC e One Big Happy estreou muito bem na NBC (5.4 milhões). Ellen tem agora 5 programas no ar, vários no Ellentube, 41 milhões de seguidores no Twitter, ainda vai lançar um livro de design, um novo aplicativo, uma comédia que está sendo desenvolvida com Idina Menzel e uma série para o Travel Channel. Segundo o The Wrap, o segredo de seu sucesso é o humor e a simplicidade que faz com que o público se empatize com ela.

Hulu está desenvolvendo seu primeiro drama, The Way, de Jasom Katims e Jessica Goldberg (de Parenthood). Serão 10 episódios produzidos pela Universal TV que contarão a história de uma família devota à uma religião  controversa e que está sofrendo com seus conflitos internos (sobre casamento e poder). Cada episódio vai tratar sobre o que significa escolher entre a vida que escolhemos viver e a vida que gostaríamos de viver.

IFC está desenvolvendo uma comédia com Ben Stiller e Jake Fogelnest sobre o relacionamento de um pai com um filho. Start Making Sense terá produção é da Legendary TV.Showtime encomendou a Andrew Ross Sorkin (do excelente Too Big To Fail) e Brian Koppelman (de Ocean’s Thirteen) uma série sobre o mundo de altos investidores em NY.  Billions será protagonizada por Damian Lewis e Paul Giamatti, terá 12 eps de 60’ e está sendo descrita como um drama “complexo e contemporâneo sobre a política de poder no mundo de altas finanças”. Giamatti será um advogado americano e Lewis vai interpretar um ambicioso gestor de fundos de investimento privado (Fundos hedge). É para  2016.

Lord Julian Fellowes foi entrevistado esta semana no PromaxBDA Europe e além de anunciar o fim de Downton Abbey, ele falou sobre as origens da série: “Cora was the first character I imagined, and then I got hooked on it and said yes to doing Downton Abbey”. Segundo Fellowes, se não fosse a personagem americana no centro da família, dificilmente a série sairia do chão. Ele também acha que o sucesso de seus roteiros se deve “ao fato de ter sido um ator quando jovem”.  Seu próximo projeto é Gilded Age para a NBC, sobre as famílias milionárias de NY em 1870 (como os Vanderbilt), mas que ainda não começou a escrever.

4. OUTROS 

​O Hollywood Reporter publicou sua lista dos 30 power players em reality, um gênero que anda passando por dificuldades, mas que sempre vai exisitir, já que define muitos canais de sucesso, entre eles Bravo, History e E! Mark Burnett é o rei, claro, seguido dos chairmen da Endemol Shine, Cris Abrego e Charlie Corwin (de
Big Brother, MasterChef, The Real Housewives of Atlanta, American Idol).

Um artigo do NYTimes que gera um bom debate sobre a mudança na narrativa de comédias. Muitas comédias agora contam histórias serializadas, com arcos de personagem, mas o público de TV aberta tende a preferir as não serializadas (como Big Bang Theory) ou com arcos muito  leves, já que veem comédias por uma razão distinta de dramas:

E um artigo apontando o Instagram como veículo da hora para promoção e nova fonte de renda para celebridades: http://www.hollywoodreporter.com/news/need-sell-a-movie-a-782582