semana de 2 de Agosto

NA TV

jonstewart4__twocolumncontentO melhor (e mais triste) esta semana foi a despedida de Jon Stewart do Daily Show (Comedy Central) na quinta.  Sua influência na TV quase não tem medida:  há 16 anos ele é a voz que dá perspectiva à mídia, à política e aos absurdos cotidianos em geral. De seu programa saíram grandes comediantes, como Steve Carell, John Oliver, Ed Helms, Samantha Bee, Stephen Colbert, Jason Jones, Lewis Black, etc. Todos os jornais, comentaristas, talk-shows falaram disso, até mesmo a rede de fast food Arby’s, que Jon passou anos debochando, fez sua homenagem durante o penúltimo episódio com uma compilação de menções (mesmo efeito do Spoleto do Porta dos Fundos). Sua última semana teve a maior audiência em três anos e o finale, a segunda maior de sua história: 3.5 milhões (a primeira foi em 2008 com Obama candidato). Coube a  Stephen Colbert, que saiu do script e acabou fazendo Jon chorar, o toque mais emocional.

E aqui vão os 9 momentos que definem a história do Daily Show, segundo o NYTimes.

Na quinta também foi dia do primeiro debate entre candidatos à indicação republicana na Fox News (e online no site  do canal). O bufão Donald Trump disse não excluir a possibilidade de continuar como independente,  o jovem hispano Marco Rubio brilhou e a ex-CEO da HP, Carly Fiorina, impressionou no pré-debate com sua eloquencia e inteligencia. A audiência foi das mais altas na história da TV a cabo: 24 milhões. O debate democrata será no dia 13 de Outubro e transmitido pela CNN.

The Great British Bake Off, um campeão de audiência na sua primeira temporada na BBC Inglaterra, continua seu trilho de sucesso e estreou sua segunda temporada com recordes para a BBC (10 mihões).


NOTICIAS e OUTRAS PLATAFORMAS

Uma notícia para se ficar atento: as ações de todos os grupos de mídia caíram esta semana logo depois que a Disney reduziu suas metas financeiras na TV a cabo (muito por causa da queda de assinantes da ESPN). A insegurança gerada pelo crescimento de cord cutters (espectadores que optam por não ter assinatura de TV a cabo tradicional ou satélite) derrubaram acões da Disney em 9%. Discovery chegou a cair 12%. E a Viacom chegou ao mais baixo valor em 52 semanas. A expectativa é de diminuir também a receita gerada tanto por assinantes quanto pela publicidade, como consequencia das constantes quedas de audiência. O consumidor está mudando, e essas empresas não estão preparadas para usar esta ruptura causada pela tecnologia a seu favor

Uma semana depois que AT&T fechou oficialmente a compra da DIRECTV (num deal de 48.5 bilhões) eles lançaram um pacote justamente para os cord cutters. Com slogan de “walk out and watch TV” (vá para a rua e veja TV), o pacote custa $200 e oferece uma combinação de telefone, internet e TV móveis: chamadas e sms ilimitados para até 4 números, 10GB de wireless data, HDTV e DVR (para Direct TV ou AT&T U).

Especula-se que daqui um mês  um novo AppleTV esteja no mercado. De acordo com o Buzz Feed,  a notícia ia ser anunciada em junho, mas foi retardada para setembro. O objetivo é mudar o chip: Apple TV atual tem um A5 chip, pensado para o Iphone 4 e o novo terá um A8 (compatível com o Iphone 6). Claro que eles vão aproveitar para dar fazer design mais clean e menor (lá vem as filas na portasoutra vez).

O serviço de streaming da Sony, Crackle, lançou esta semana o Always On, um serviço tipo auto-play como TV linear, onde as novas temporadas de vídeos são disponbilizadas imediatamente. E durante sua sessão no TCA, eles aproveitaram para divulgar o lançamento de mais uma ficção, uma série de 10 episódios com Dennis Quaid, The Art of More, sobre uma casa de leilão.

Um problema de direitos está impossibilitando o novo serviço de OTT do Showtime de decolar. A pedra no caminho é a 20th Century Fox, que produz Homeland e que contratualmente proíbe a venda da série para SVOD enquanto estiver no ar (para evitar que vá para Netflix). HBO não tem este problema porque é dona de tudo o que produz, mas o Showtime co-produz com a Fox (Homeland), Sony (Masters of Sex) e Warner (Shameless). Algumas séries já foram renegociadas, mas Homeland, ainda não e assim que chegar ao fim, Showtime vai ter que disputar direitos de SVOD com Netflix, que já tem Dexter e Weeds.

 

MARKETING DIGITAL

A loja de materiais de construção Lowe’s fez uma campanha via Vine muito fofa, que agora pode ser vista também nas vitrines da loja em Manhattan (e que alguém transmite via Periscope nas quartas). São tutoriais de 6 segundos com dicas para casa (como por exemplo, usar nozes para disfarçar arranhões na madeira).

unrealUnREAL terminou sua primeira temporada segunda no Lifetime. Com uma premissa ótima, parodiando os realities de namoro da TV tipo The Bachelor,  a série é muito boa, fez sucesso de crítica, não muito de público. Mas o Lifetime vai continuar investindo nela porque quem viu, virou fã leal e compartilhou  opiniões muito fervorosas sempre que pôde. Com isso em mente, uma das estratégias de marketing com UnReal  foi colocar 4 episódios online logo depois da estréia, como muitos canais estão fazendo. Para fazer a audiência voltar à TV no 5º episódio, eles criaram “um evento social” em parceria com a revista Marie Claire:  o elenco se reunia na casa de Constance Zimmer (que faz o personagem principal) na hora do episódio e fazia comentários ao vivo via Periscope. É um pouco como Scandal e How To Get Away With Murder fazem com Twitter, com o elenco inteiro “vendo” o episódio junto com o espectador.

Assim como os smartphones popularizaram os emoji, uma nova geração de empresas de GIFs está fazendo destas mini zBANAHmanimações a opção preferida dos millenials de transmitir mensagens visuais. O Tumblr, site de blogs visuais, publica 23 milhões de GIFs todos os dias e o Facebook Messenger, mais de cinco milhões. A promessa é simples: uma imagem vale mais que mil palavras. Uma destas novas empresas de GIFs, a Imgur, popular entre homens jovens (mais de 150 milhões usuários mensais) está testando uma maneira de monetizar este novo canal de comunicação com millenials e a melhor forma que encontrou é através de conteúdo curado, em linha editorial com o grupo. Um exemplo, este GIF do Ebay genial, que conta a história de como fomos nos livrando das coisas na mesa do escritório através dos anos (as coisas foram todas encontradas no Ebay, claro).

 

DESENVOLVIMENTO

 24 vai voltar à Fox mas sem Jack Bauer, pelo menos por enquanto. Isso foi o que o CEO da Fox anunciou esta semana no TCA. Manny Coto e Evan Katz estão escrevendo o roteiro e o criador da série, Howard Gordon, supervisionando. O formato (história em tempo real) será o mesmo, mas todas as personagens serão novas. A Fox também encomendou ao criador de Empire, Lee Daniels, um novo drama, Star, também tendo música como pano de fundo. Star vai se passar em Atlanta onde  3 mulheres se conhecem e decidedm formar uma banda de sucesso.

PBS anunciou no TCA que Mercy Street é a primeira série de ficção completamente americana que produz em mais de dez anos. Estréia em janeiro, se passa na época da guerra civil e tem produção de Ridley Scott. Outra notícia deles foi sobre Downton Abbey: a série e elenco vão ganhar um carro alegórico para desfilar no tradicional Tournament of Roses Parade dia 1º de Janeiro em Pasadena, dois dias antes da nova temporada estrear por aqui.

ABC Studios contratou a produtora de Reese Witherspoon, Pacific Standard, para desenvolver séries para TV aberta. Ela já está produzindo Big Little Lie para a HBO (em que vai protagonizar junto com Nicole Kidman), fez  Wild e Gone Girl para o cinema,  e está desenvolvendo Supreme Courtship para a Sony (sobre uma juíza casca grossa).

FOOD FOR THOUGHT

Há séries demais na TV, como diz o CEO do FX. São mais de 400 para o espectador escolher. Uma boa leitura.

Com 23,3 milhões de assinantes no mundo, Netflix tem como objetivo dominar o mundo. Quatro mercados, no entanto, não vão deixar isso fácil: Italia, Japão, India e Espanha. A matéria é do Hollywood Reporter.