semana de 4 de outubro

NA TV

Na sexta, a NBC faz uma nova experiência ao vivo em seu primetime, desta vez com ficção, algo que não fazia há 25 anos. A sitcom Undateable entrou ao vivo às 8 da noite, com uma hora de duração, em mais uma iniciativa do presidente da NBC que ama TV ao vivo, Robert Greenblatt (foi idéia dele fazer Sound of Music e Peter Pan e Best Time Ever com Neil Patrick Harris ao vivo). Alan Sepinwall lembra algumas séries de ficção que entraram no ar ao vivo, entre elas I Love Lucy e um episódio do ER, com George Clooney. Undateable ficou em 3º na sua faixa de horario (2.6 milhões) e ABC continua em primeiro (Last Man Standing e Dr. Ken)

Jay Leno estreou seu programa de carros na CNBC, Jay Leno’s Garage, na quarta e foi a maior do canal em primetime, com quase 1MM. Ele ganhou uma boa promoção esta semana quando voltou ao Tonight Show para o monólogo de abertura junto com Jimmy Fallon e ao Today Show, quando foi co-apresentador por 2 horas. Falando em Today, foi uma semana dedicada à cultura latina, com Chirstina Aguilera, Selena Gomez (que estréia o novo branding das performances: sai Toyota ConcertSeries e vira Citigroup Concerts) , Eva Mendez e tantos outros.

Quarta também foi dia da volta de American Horror Story: Hotel, desta vez com Lady Gaga, e uma audiência considerável, deixando o FX em segundo lugar da noite (só atrás de Empire, que continua chato e com audiência menor): 3.8 milhões entre 18-49 e 5.8 milhões totais. Empire fez 13 milhões.
No domingo, o último episódio de Fear the Walking Dead, um spin-off de Walking Dead, fez 10 milhões. Foi o mesmo dia da volta de Good Wife, que continua excelente (fez só 9.2 na CBS, proque havia futebol americano na NBC, que fez 26.6 milhões), The Affair e Homeland (Showtime), que fez ótimos 1.6 milhões.
NOTICIAS

Uma controversa discussão está acontecendo no FCC, que regula os orgãos de comunicação, sobre os novos padrões de distribuição. A quem pertence o futuro das plataformas de distribuição de TV: ao aparelho ou aplicativo, como diz o Hollywood Reporter? Numa sociedade onde se respeitam as leis, a pergunta sobre quem vai controlar a forma com que será distribuido o conteúdo é pertinente.

ABC Familyjá vem rebranding há alguns meses. Primeiro mudou a programação, tom, target e visual e agora é a hora de trocar de nome: Freeform, que segundo eles, é a forma fluida que teens e jovens consomem a mídia. Parou de programar para millenials e agora busca os “becomers” (bem mais jovens). O novo logo e nome estreiam em janeiro, junto com novas temporadas de Pretty Little Liars, The Fosters e as novas series Shadowhunters e Recovery Road.

Viacom está abrindo dois estúdios super modernos de mais de 15 mil metros quadrados em Miami em parceria com a Screen Gems Studios. Será um hub para todas as produções internacionais deles (na maioria da Nickelodeon), incluindo webseries.

Sacha Baron Cohen está abrindo uma nova produtora na Inglaterra especializada em comédia e inovação e com financiamento do Channel 4. A produtora chama-se Spelthorne Community Television, uma referência à cidade natal de sua personagem fictícia Ali G, quer lançar novos e ousados comediantes e formatos.

Em Maio, a ACLU (American Civil Liberties Union) pediu aos governos estaduais e federal que investigassem porque a contratação de mulheres diretoras ocupa apenas uma fração dos postos criativos. Esta semana, entrou em cena o orgão federal que regula novas contratações, proibindo a discriminação por idade, sexo, raça ou deficiência, o Equal Employment Opportunity Commission, que vai começar a entrevistar diretoras para saber se sofreu alguma espécie e discriminação. Dependendo dos resultados, a consequencia pode ser um processo contra toda indústria de entretenimento: só em 2014, dos Top 100 filmes produzidos, apenas 2 foram dirigidos por mulheres, enquanto que na TV, apenas 18% está dirigindo pela primeira vez (4∞ são diretoras de fotografia e 11% roteiristas).

MARKETING e OUTRAS PLATAFORMAS

Television Time é um aplicativo criado por um garoto de 19 anos que permite ao usuário saber (só) o que está começando e onde. É um aplicativo para o viciado em TV, como algumas pessoas que a gente conhece ;-), clean, sem a informação que você não precisa e que é capaz de analisar seus hábitos e sync com Icloud e Trakt.

100915-1Jonathan Franzen é um festejado e popular escritor americano  (The Corrections virou filme em 2012) que também é notoriamente um chato. Por isso foi uma supresa ver a colaboração de Franzen no marketing de uma rede de fast food (Chipotle).  Ele é a estrela da campanha Cultivating Thought (Cultivando o Pensamento) da rede Chipotle’s que oferece 2 minutos de leitura em sacos de papel e copos de papelão. E ainda pedem uma resenha via Twitter para concorrer a chance de ganhar burritos por uno inteiro (e um Kindle).

DESENVOLVIMENTO

Baz Luhrmann falou pela primeira vez do musical que está desenvolvendo para Netflix, The Get Down, descrevendo o conteúdo da história como “o nascimento da criatividade pura”. já que trata das origens do hip hop em 1978 em NY, quando “a garotada não tinha muitos recursos mas sabia que queria mudar o mundo”

CBS está desenvolvendo uma série baseada nos livros de Agatha Christie protagonizados por Miss Marple. Vai se chamar apenas Marple e a personagem, que resolve crimes da forma mais inusitada possível, será mais jovem. Ela herda a livraria da avó, se dá conta que os pequenos mistérios da cidade não são muito normais e vira uma investigadora particular. Não é a primeira vez que alguém põe Miss Marple na tela. A BBC teve seu Agatha Christie’s Marple entre 1984-1992 e a ITV teve a sua de 2004 a 2013.

WEtv está desenvolvendo uma docu-série chamada Selling It: In The ATL. Serão seis episódios sobre 7 mulheres que são agentes em Atlanta e que estão mudando o mercado imobiliário da cidade.  A série vai focar em seu processo de trabalho e como usam seu talento para negócios e enormes personalidades para reformar e vender casas.

Fox International Channels (FIC) comprou da Keshet os direitos para produzir False Flag em inglês para o mercado americano e seus 127 canais internacionais. No MIPCOM, a série estava sendo promovida como “a próxima Homeland”. São 8 x 45′ e conta a história de 5 pessoas comuns que um dia acordam e estão na TV, sendo falsamente acusados do sequestro de um ministro iraniano do alto escalão.

FOOD FOR THOUGHT

Se uma “lição” foi aprendida nas últimas duas temporadas de TV é que assistir televisão de forma linear está mesmo com seus dias contados, mas isso não quer dizer que não se esteja consumindo conteúdo de TV. Estamos apenas na 3ª semana da temporada e as redes abertas já mostram quedas de audiência de 19 % (ABC), 20% (Fox) e 10% na NBC. Mas como este mercado  é movido à publicidade, com preços determinados pela audiência, os institutos de pesquisa estão correndo para lançar ferramentas que ofereçam medição em todas as plataformas. É a análise da Ad Week.  O que vem por aí: Video Pulse, com informação na nuvem, ComScore vai lançar X Media e a Nielsen, claro, promete oferecer números totais.

Um novo termo e a constatação de uma nova realidade: os cord-nevers já ultrapassaram em número os cord-cutters. De acordo com a Forrest Research, 18% da população jamais teve um pacote de TV a cabo tradicional.