semana de 3 de janeiro de 2016

NA TV

Feliz 16 para todos nós! E nada como começar com Downton Abbey,  que estreou sua última temporada no domingo na PBS muito bem, atraindo quase 10 milhões de pessoas para a TV, enquanto 1.4 milhões de pessoas no Twitter  causavam 6 mihões de impressões. Antes e depois do primeiro episódio, a PBS promoveu Mercy Street, sua primeira série de ficção produzida nos EUA em 10 anos, que estréia no dia 17, logo após o 3º de Downton. Na Inglaterra, o último episódio de Downton bateu recorde para a TV inglesa no dia de Natal: 10.9 milhões (6.9 ao vivo). A PBS ainda produziu dois especiais promocionais exibidos no próprio domingo.

Steve Jobs deu bons números a CNN também no domingo, quando foi ao ar o documentário de Alex Gibney, Steve Jobs: The Man in the Machine. O canal ficou em primeiro entro os canais de notícia durante sua exibição (A25-54), mas foi o terceiro documentário mais popular da franquia CNN Films (Glen Campbell … I’ll Be Me é o primeiro, com 2.76 mihões, Blackfish, o segundo, com 1.3).

Um Town Hall (forum? entrevista coletiva?) com o presidente Obama, conduzido por Anderson Cooper foi ao ar na CNN esta semana para tratar exclusivamente do tema do momento: controle de armas. O NRA, National Riffle Association,  grande opositor ao controle de venda de armas, não quis participar do evento (chamado Guns in America) e rendeu controvérsia a semana inteira.

Na terça, NCIS (CBS) bateu um pequeno recorde de audiência da temporada, graças ao “crossover” que fez com NCIS New Orleans: 19 milhões. Na mesma noite, Chicago Fire fez um cross over com Chicago PD e Chicago Med (NBC), mas fez apenas 7.5 milhões.

O crossover é um “evento” divertido: storylines e personagens de duas séries do mesmo canal cruzam para um episódio especial. Claro, que só se pode fazer isso com séries estabelecidas. No GNT, é como se Lili ou Fernanda fossem fazer terapia com o Theo se a série estivesse na sua quarta temporada.

Já na quarta, um dos realities mais bem sucedidos de todos os tempos, American Idol estreou sua última temporada em clima de nostalgia, mostrando imagens desde a primeira temporada, exibida 15 anos atrás e que fez Kelly Clarkson uma estrela.  A audiência não foi incrível, 11 milhões, dadas as possibilidades de visualização em diversas plataformas, mas American Idol (e Survivor) são programas que marcaram história, praticamente dando origem aos realities da TV. Tentando tirar uma casquinha do evento, Kanye West fez uma ponta como concorrente, fiel à família que agora pertence (Kardashian).

O clássico Guerra e Paz (War & Peace) estréia na semana que vem simultaneamente no Lifetime, A&E e History, mas se o mercado inglês é alguma indicação do sucesso da série, a perspectiva é boa: 6.3 milhões assistiram a estréia esta semana lá. A produção é da BBC e da Weinstein Co. O visual é bonito, como mostra o trailer e tem Lily James (de Downton) no elenco.

Na sexta, Wagner Moura foi entrevistado por Jimmy Fallon, que foi super delicado para o convidado se sentir à vontade. O clip que foi para o YouTube conta sobre suas aulas de espanhol em Medellin mas a parte mais interessante da entrevista foi quando Wagner contou como foi sua primeira experiência em Vegas — ele até resolveu se casar com sua mulher de 15 anos, mas ela disse não.

 

NOTICIAS e OUTRAS PLATAFORMAS

A primeira semana do ano foi agitada para a indústria: CES (Consumer Electronics) em Las Vegas, com as novidades tecnológicas e o TCA Press Tour em Los Angeles, para a promoção das muitas estreias nos proximos dois meses. Alguns destaques: Angie Tribeca (TBS), Love (Netflix), Billions (Showtime), OJ Simpson(FX) Sesame Street (HBO), London Spy, You Me and the Apocalypse (NBC), The Catch (ABC), Animals (HBO) a volta de Americans (FX), Game of Thrones (HBO, o Variety fez até um live-blogging por causa disso) e X-Files (Fox). O NYTimes tem uma descrição resumida de cada um.

No CES, além da notícia que Netflix estará em 130 países (press-release que conseguiu foi publicado em TODOS os lugares), uma novidade é o aparelho que vai permitir assistir e gravar TV ao vivo pelo Apple TV, sem assinatura de cabo: o Tablo DVR. Custa $200, usa uma antena para capturar programas no ar e depois stream para telefones, tablets e aparelhos conectados a TV. Tem como target os cord-cutters, mas vai cobrar uma assinatura “simbólica” de 5 dólares por mês para o TV Guide (que permite a gravação do programa na hora certa).

As especulações sobre quem vai suceder Sumner Redstone na Viacom e CBS começaram há muito tempo, mas agora estão ficando mais concretas e abertas. O Wall Street Journal diz que o CEO da CBS, Leslie Moonves, tem um acordo com a filha de Redstone, Sheri, de que ele deve se tornar o chairman da CBS quando o pai dela morrer. Mas Phillip Dauman, CEO da Viacom, não será chairman da Viacom, mas fará parte de um board de 7 pessoas que deve comandar a empresa.

Um investimento interessante da 21st Century Fox: não conteúdo, mas óculos para acessar realidade virtual. Segundo o CEO da 21st Century Fox, o (brilhante) Jim Gianopoulos, “a Osterhout Design Group (ODG) está levando a experiência de ir ao cinema para o futuro”. E assim, a Fox comprou uma parte desta pequena empresa de São Francisco que desenha e faz smartglasses para realidade virtual.

Usando a mesma estratégia que usou para promover a estréia de The Affair, Showtime liberou o primeiro episódio de Billions, o esperado drama sobre Wall Street com Damien Lewis, que vai ao ar domingo que vem, para exibição gratuita via Facebook, YouTube, Roku, Hulu e Itunes. Shameless estréia dia 17 e também pode ser visto gratuitamente.

As primeiras imagens de The Get Down, drama que Baz Luhrman está fazendo para Netflix saíram esta semana (e prometem muito). A história é sobre um grupo de garotos nos anos 70 em NY no começo da era disco, punk e hip-hop. Produção da Sony.

Tasting Table, um hub de culinária online, listou os melhores canais de culinaria do YouTube.

HBO vai exibir o documentário detalhando a vida, sequestro e morte do jornalista americano morto pelo ISIS, Jim: The James Foley Story. O filme foi dirigido por um amigo de infância do jornalista, que faz sua estréia na TV (e cinema, já que deve ser exibido no Sundance também), Brian Oakes.

 

DESENVOLVIMENTO

Há executivos de canais espertos e visionários, em linha com os acontecimentos ao redor do mundo, e outros que apenas copiam os originais. Assim, está se vendo três “ondas” na TV:  uma nova safra musical forte, uma de protagonistas negros e uma nova dedicada ao crime de tom naturalista. Esta última é mais frágil, incluindo a controvérsia ao redor da série da Netflix, Making of a Muderer, noticia que saiu no Brasil e que não dou muito atenção porque a serie é oportunista. A “boa” deste tema será a minissérie de Ryan Murphy sobre OJ Simpson para o FX, com a volta de Ross ao ar (David Schwimmer será o Robert Kardashian, advogado e amigo de OJ) e John Travolta.

UnReal prepara sua segunda temporada com um protagonista negro. A justificativa do canal (Lifetime) é “para estar em linha com os eventos atuais”. UnReal retrata um reality semelhante ao The Bachelor, no ar há 14 anos na ABC e amplamente criticado por jamais ter personagem central negro.

David Fincher e Charlize Theron estão desenvolvendo Mind Hunter para a Netflix, sobre uma unidade de elite do FBI que investiga estupradores e seria killers. Nosso amigo Scott Buck ia escrever, mas como ele está comprometido com Iron Fist, tambem da Netflix, o showrunner deve ser

Dois atores entrando para a produção de ficção de TV. Um deles é Jake Gylenhaal. Ele está trabalhando para o A+E Studios no desenvolvimento de uma antologia para retratar grandes personalidades (cult) americanas. A primeira delas sera Jim Jones. E o outro é Jeremy Renner, que vai produzir Knightfall para o History, um drama de 10 episódios sobre os Knights Templar warriors das Cruzadas de 1300.

Netflix está desenvolvendo um thriller psicológico sobre um terapeuta que ultrapassa as fronteiras da ética profissional. Chama-se Gipsy, terá 10 episodios e conta a historia da terapeuta Jean Holloway, que começa a ter relacionamentos íntimos e perigosos com as pessoas relacionadas a seus pacientes. Para 2017. Netflix também anunciou o desenvolvimento de um documentário sobre o ataque terrorista a revista Charlie Hebdo, chamado Je Suis Charlie.

 

IDEIAS  e FOOD FOR THOUGHT

Por ocasião do CES, a Ad Age publicou uma entrevista com o CEO da Netflix, Reed Hastings, sobre seus planos para 2016. Independente do press-release de que estarão em 130 países, ele fala dos gastos com programação (“e pensar no lucro depois”). É interessante.

Este link vai porque é muito divertido e criativo — para quando vocês não tiverem nada para fazer. É do site do Victoria & Albert e você pode criar a sua própria peruca.

Por fim, uma entrevista do Vulture com o CEO do Showtime, David Nevins, onde ele fala do crescimento de Homeland e The Affair, ambos renovados para novas temporas (6 e 3)