semana de 7 fevereiro, Super Bowl, millenials e nostalgia

NA TV

Dados do Super Bowl: a audiência foi 2% mais baixa que a do ano passado, 111.9 milhões na TV ao vivo;  1.4 milhões streaming, este sim um recorde; o comercial mais visto foi o PSA com Helen Mirren, mas o mais falado foi o estranho Puppy Monkey Baby, da Mountain Dew, protagonizado por um bebê com corpo de macaco e cara de pug (criado pela BBDO/NY). Já Stephen Colbert teve a melhor exposição que poderia ter, com audiência de 21 milhões, a mais alta até agora para late night show. Aliás, a CBS programou Colbert para depois do Super Bowl justamente porque só não é líder neste gênero. Entre seus convidados, a maior estrela do jornalismo nesta eleição,  Megyn Kelly, âncora da ultraconservadora Fox News e de quem Trump foge como o diabo da cruz  (porque ela se recusa a aceitar os comentários sexistas dele). Megyn é capa da Vanity Fair e agora todos prestam atenção no que ela tem a dizer.

A CBS aproveitou a maior audiência do ano e programou um promo completamente inesperado (para o público), informando o fim de The Good Wife. O release foi lançado ao mesmo tempo para a imprensa e a data do finale da história de Alicia Florrick marcada para 9 de Maio. Outras mensagens chave da CBS durante o jogo foram Showtime e CBS All Access, cada uma com um promo exclusivo.

Os alternativos Puppy Bowl (Animal Planet), Kitten Bowl (Hallbark) e Fish Bowl (Nat Geo) todos foram bem, sendo que o de cach10SAMANTHABJP6-master675-v2orros ficou em nº1 na TV paga, empatado com ESPN.

O late night finalmente ganhou uma mulher esta semana (e que vem com  pedigree do Daily Show with Jon Stewart): Samantha Bee, ex-correspondente do Daily Show. Seu programa Full Frontal será semanal na TBS, estreou na segunda, foi bem e é engraçado.

Os números de The People Vs. OJ Simpson continuam crescendo e impressionam: 12 milhões totais na primeira semana e a estréia mais alta para qualquer série da história do canal, que tem 22 anos. Na terça, o segundo episódio foi nº 1 na TV a cabo, com 3.9 milhões, que também vai crescer com DVR.

A ABC deve ter desembolsado uma boa quantia para fazer o elenco inteiro de Scandal aparecer quinta no GMA às 5 da manhã na costa oeste (8 na costa leste). Foi a única promoção da série e a audiência foi mais ou menos (6.9 milhões).

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NOTICIAS e OUTRAS PLATAFORMAS

As ações de mídia estão tendo sua pior semana desde agosto (quando a Disney revelou a perda de assinantes da ESPN). Na quinta, a Disney, Viacom Inc. e 21st Century Fox Inc. perderam em média 7% de seu valor. A Viacom já tinha perdido mais no início da semana por conta dos desentendimentos da filha de Sumner Redstone com o CEO Philip Dauman. Mas agora, com mais e mais americanos cancelando seus pacotes de cabo e satélite em favor das opções OTT e “skinny bundles”, estão todos sofrendo.

Viacom assinou com  Snapchat um global deal esta semana, que permite anúncios no aplicativo bem como o lançamento de conteúdo diário. Além da iniciativa de conectar com a audiência, é um dela que confirma o Snapchat como um aplicativo de vídeo “que importa” no alcance do famigerado grupo “millenial”.

E continuando o esforço para reinventar a MTV, que agora planeja trazer de volta MTV News, jornal que estreou em 1987. Eles estão tão atrasados em sua presença digital e perderam tanto (40%) de sua audiência principal (18-24) nos últimos 5 anos, que não há nenhuma garantia de sucesso nisso. Duas matérias esta semana identificam a a confusão de identidade da marca: Billboard e Variety,

Os originais do YouTube finalmente estrearam no seu serviço de SVOD, Red, com destaque para os filmes com sua estrela mais popular, PewDiePie. No mesmo dia eles anunciaram mais dois originais: um documentário sobre a artista trans Gigi Gorgeous  e uma série com outra estrela do YouTube, JennxPenn. Gigi Gorgeous tem 23 anos e nasceu no Canada como Gregory. O documentário vai contar esta história, desde o nascimento até seus dias de vlogger atualmente (ela tem 2.1 milhões de assinantes interessados em suas dicas de beleza e moda).

Aqui vai o primeiro calendário de upfronts e newfronts deste ano. Representa o início das negociações da nova temporada de programação com o mercado publicitário:

 

DESENVOLVIMENTO

A excitação dos colunistas de mídia com a volta de Gilmore Girls é vultosa. A cada novo nome confirmado há  news blasts, comentários no rádio, colunas editoriais, etc. Se for alguma indicação de audiência, vai ser o remake mais popular. Por enquanto só quem não confirmou sua participação, com o argumento que “não foi convidada”, foi Melissa McCarthy, a atriz que ficou mais famosa depois da série. Geralmente quando um ator diz isso é proque ou não quer fazer o trabalho ou há alguma espécie de desentendimento com o showrunner (no caso, Amy Sherman-Palladino).

Esta onda de remakes é uma das vertentes da eventização da TV, já que nostalgia atinge um público abrangente. Em desenvolvimento, além de Gilmore Girls (Netflix), há Twin Peaks (Showtime), 24 (Fox), Prison Break (Fox), McGyver (CBS), Star Trek (CBS) e Tales from the Crypt (TNT).

Spike acertou em cheio no ano passado com Lip Sync Battle, que em nova temporada continua a fazer bons números. Logo, o canal vai continuar investindo na cantoria fake: está desenvolvendo Caraoke Showdown (fortemente influenciado pelo quadro de James Corden no late night da CBS). Será apresentado por Craig Robinson, que vai se passar por motorista que apanha um candidato na rua

Outro quadro de um programa do late night que vai virar programa é  Who Knows…? de Jimmy Kimmel. Será um game-show de meia hora chamado Big Fan, com celebridades competindo com seus maiores fãs sobre quem sabe mais sobre eles. A inspiração veio do episódio com Katy Perry, onde um fã provou saber mais dela sobre ela mesma.

Incorporated é o nome do thriller futurístico criado por Matt Damon e Ben Affleck para a CBS e Universal Cable. Conta a história do executivo Ben Larson, que é obrigado a mudar de identidade para entrar no ambiente corporativo para salvar a mulher que ama e com isso mudar o sistema inteiro (com consequencias fatais).

A CBS também encomendou duas comédias, uma delas com Matt LeBlanc, que tem o sugestivo título de I’m Not Your Friend (multi-camera, sobre um pai que trabalha em casa e precisa educar as crainças). A outra também é multi-camera, escrita por Stephanie Weir,  que mostra o conflito de gerações de uma família aparentemente “perfeita

 

FOOD FOR THOUGHT

Todo mundo quer atenção de jovens millenials e Vice promete comunicar com eles mas só o que conseguiu até agora foram rios de dinheiro. Se vai conseguir os “eyeballs” (espectadores) continua um mistério (e Shane está usando o discurso de Netflix para evitar os números). Excelente artigo do Variety sobre o desafio de Vice.

Na minha opinião, a discussão sobre racismo no Oscar é “cega”, mas se resultar ao menos na conscientização (real) de que há diferentes raças nos EUA, pode ter valido alguma coisa. Na TV, é diferente — dois colunistas do NYTimes falam sobre isso, diversidade na TV hoje.

81% dos domicílios americanos já tem algum serviço de SVOD, seja DVR da operadora, Netflix ou Amazon Prime. E 77% dos mais jovens (18-24) usam esta opção. Mais números no MediaPost.