semana de 4 de abril – Megyn Kelly, Condé Nast na TV, WhoHaHa

NA TV

Os dois grandes destaques da semana foram o finale do genial The People Vs OJ Simpson no FX e as muitas homenagens ao fim de American Idol, um reality que deixou sua marca na cultura pop deste século, depois de 15 anos no ar (até Obama participou do finale, dizendo que o programa ensinou a votar, fez 8.7MM). The People Vs OJ Simpson ficou em primeiro no cabo (5.11MM duas exibições na terça) e falou abertamente como o viés racial que absolveu um assassino não mudou nada na história da polícia ou seu tratamento com negros. A série, de Ryan Murphy e Scott Alexander, foi brilhantemente escrita — aliás, se alguém gosta de uma boa crítica de TV, Alan Sepinwall.

Enquanto todas as atenções de TV se voltaram para outro finale no domingo, o de The Walking Dead (14.1MM), The Charmichael Show, uma sitcom multicamera (com platéia) da NBC tratava de outro tema também oportuno para os americanos, a tolerância religiosa. No episódio de domingo, The New Neighbors, uma família de muçulmanos se muda ao lado de onde vivem os protagonistas. As reações da platéia foram politicamente corretas, só ilustrando a falta de muçulmanos na TV fora do papel de terroristas.

 A guerra das manhãs voltou a ficar interessante, com GMA passando o Today mais uma vez, mas ambos perdendo terreno para os canais de noticias (eleições). O histórico é o seguinte: GMA bateu o Today em 2012 depois de 16 anos da NBC  na liderança, a briga continuou até o Today voltar ao topo em 2014 algumas vezes e em 2015 com frequencia (A25-54). A média dos dois programas é de 4.7 milhões cada manhã.

Este sábado 9,  a HBO exibe um bom doc, Nothing Left Unsaid, que é uma conversa entre mãe e filho sobre amor e perdas. Mas a mãe e o filho são Gloria Vanderbilt (herdeira de uma das maiores fortunas de NY, da era de ouro americana, de minério e ferrovias) e Anderson Cooper (jornalista da CNN), duas figuras importantes que vão falar sobre a morte do marido/pai e o suicídio do filho/irmão.

 

NOTICIAS e OUTRAS PLATAFORMAS

ebanksElizabeth Banks, que é um talento raro (boa atriz, engraçada,diretora) estreou uma plataforma digital de comédia para mulheres, WhoHaHa. Segundo ela, “se homens conseguem fazer, é porque provavelmente apresenderam com uma mulher”.  A plataforma é composta de material cômico original ou curado e produzido/dirigido/protagonizado por mulheres.

Ellen lançou na segunda um reality digital (para web) sobre dança para jovens (10 a 14 anos). O premio é parecer no seu programa em Maio, chama-se tWitch and Allison’s Dance Challenge e tem 8 eps. Aqui o primeiro episodio.

Com a inesperada saída do COO da Disney, Thom Staggs, esta semana, a busca e especulação sobre quem vai ocupar o seu lugar –e consequentemente o do CEO em 2018 — começou de forma bem agressiva. É a primeira vez desde 1980 que a empresa vai buscar alguém de fora para seu cargo mais importante. E os nomes especulados vão desde Chase Carey, da 21st Century Fox, Peter Chernin a Sheryl Samberg (COO do Facebook).

 Powerpuff Girls voltou ao ar no Cartoon depois de 11 anos e para promover a reestréia, o canal lançou um aplicativo para o usuário se “powerpuff” a si próprio que virou um sucesso em redes sociais. #PowerpuffYourself.

 

DESENVOLVIMENTO

Freeform está desenvolvendo Issues, uma série de ficção inspirada na vida de Joanna Coles, editora da revista Cosmopolitan.A produção é da Universal Television e vai mostrar a vida nada convencional das pessoas envolvidas na criação de uma revista feminina global.  Do dia a dia no trabalho, à busca de identidade, amizades e amores, até a pressão de ter um corpo e um jeans perfeito.

No início deste ano, ABC Family se tornou Freeform, pois suas séries de maior sucesso não tinham muito a ver com aquele posiocionamento (embora isso não seja incomum: TLC começou como The Learning Channel e agora só tem docu-realities; A&E começou com Arts & Entertainment, com opera e ballet, agora tem ficção e não ficção). Mas no caso de ABC Family, fez todo sentido mudar a marca porque eles se viram livres da programação “família”.

Steve Harvey (o da gafe de Miss U) e Mark Burnett (produtor de Shark Tank, entre outros) estão desenvolvendo um novo reality com foco em business para a ABC.  Apresentado por Harvey, faz dois empreendedores rivais pitch seus projetos para uma platéia ao vivo que escolhe na hora quem vai receber o financiamento necessário.

 

FOOD FOR THOUGHT

Esta matéria do NYTimes mostra como a Condé Nast está entrando no business de entretenimento. Ao longo dos anos, muitos blockbusters saíram de páginas de suas revistas (Argo, Brokeback Mountain, Eat Pray Love), mas como ficaram de fora dos lucros, resolveram produzir seu próprio conteúdo. Há títulos interessantes, como Ms. Lipstick, sendo desenvolvido para o Freeform (ex ABC Family), e os já mencionados New Yorker Presents e o documentário com Anna Wintour sobre o Met Gala, First Mondays in May.

megyn-kelly-childhelpO Variety fez uma ótima entrevista com a “estrela” dessa eleição, Megyn Kelly. Ela é inteligente, não gosta da atenção que está chamando por causa da obsessão de Trump por ela (ela ousou questionar sua misoginia) e seu programa na Fox News está indo muito bem, com média diária de 2.5MM. Megyn Kelly sobreviveu a Trump.

Levou apenas dois anos para uma pequena produtora de Israe conquistar o mercado americano com seus produtos, como diz o perfil da Keshet da Fortune.

Na quinta, o MIP encerrou mais uma edição. O C21 fez sua compilação anual de notícias sobre o evento.