semana de 19 de fevereiro – mídia e tecnologia vs TV, versos bíblicos promovem Young Pope, boneca Jazz

NA TV

Domingo tem Oscar (ABC) e todos os spots comerciais foram vendidos há mais de uma semana, chegando a 2.1MM cada.  Muitos anunciantes são os mesmos do ano passado (Adidas, AT&T, McDonalds, Disney, Samsung, etc.), mas também há comerciais do NYTimes (seu primeiro, promovendo “a verdade”) e do FX, mais especificamente da série Feud, de Ryan Murph, que estréia na semana que vem (sobre a rivalidade de Bette Davis e Joan Crawford). A audiencia do ano passado foi a menor em 20 anos (entre A18-49) e o AdWeek fez uma boa materia sugerindo que um investimento em mídias sociais atinge tanta gente por bem menos $.

A HBO finalmente acertou numa série, Big Little Lies, de David E Kelly (criador de Ally McBeal), que estreou domingo.  Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley são mães de três filhos da mesma escola em Monterey, Calif. onde há um crime. Todas tem casas maravilhosas, carros de luxo, bebem vinho e tem dinheiro. Um alívio de assistir.

Também no domingo passado, a CBS mostrou o primeiro episódio de Good Fight, o spin off de The Good Wife. Fez 7.2MM, um número decente para uma série que só vai existir digitalmente.  Ao mesmo tempo, na NBC, o Payley Center homenageou os 90 anos da NBC, The Paley Center Salutes NBC’s 90th Anniversary (4.4MM).

Blacklist já tem um spin off, Redemption, que estreou logo após o episódio de quinta nesta semana. E Suits vai fazer o seu, um procedural com a personagem Jessica Pearson (Gina Torres).

This Is Us atingiu outro marco de audiência: no Live+7 passou The Big Bang Theory pela primeira vez, subindo 96%. Ainda não bate em números (15.8MM de This is Us e 19.2MM de Big Bang).

 
NOTICIAS, MARKETING e OUTRAS PLATAFORMAS

Canal Plus, co-produtora de The Young Pope, está usando inteligência artificial e versos bíblicos para promover a série em redes sociais. Graças a uma parceria com IBM Watson, eles criaram AiMen, uma ferramenta capaz de “ouvir” palavras em redes sociais e “responder” com 3900 versos bíblicos. Os verbetes bíblicos já chegaram a 4MM de pessoas.

A Netflix está aumentando o investimento em consumer products. A Forbes faz uma análise detalhada de sua receita, indicando que a monetização de suas franquias (livros, brinquedos, parcerias com comércio) é um caminho para aumentar a receita. A Disney vai movimentar $5Bi em 2017, 70% da receita total da Netflix.

O Hollywood Reporter também mostrou um gráfico da receita de cada estúdio (dados de 2016). Disney ocupa o primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo (este ano graças ao filme Rogue One).

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A Vice contratou dois grupos financeiros, Morgan Stanley e Raine Group,  para criarem um fundo para desenvolvimento de programas de  ficção. A ideia é criar 80 séries para serem distribuídas no mundo todo até o fim do ano.  Não está claro que valor buscam levantar, mas a prática não é novidade: Steven Spielberg arrecadou mais de US $ 800 milhões com a ajuda de JP Morgan Chase. E este mesmo grupo, Raine, que foi um dos primeiros investidores da Vice, financiou a produtora de Brian Grazer e Ron Howard para que fizessem Friday Night Lights.

17xp-doll3-blog427loganA Toy Fair, feira de brinquedos que acontece em NY há 114 anos, terminou na terça, este ano destacando a ‘fluidez entre os sexos’, com uma boneca transgênero inspirada em Jazz Jennings e o bonecos meninos, como Logan (da Mattel) e Boy’s Story.  Jazz Jennings nasceu menino e aos 16 é um dos casos mais jovens de trans (em 2007, foi tema de um especial da ABC com Barbara Walters).  A boneca, que será produzida em edição limitada no verão, é para crianças e veste a mesma roupa que Jazz veste na capa de seu segundo livro,Being Jazz: My Life as a Transgender Teen. Já o boneco Logan chamou a atenção porque é o primeiro menino  da tradicional American Girl, que pertence à Mattel.

DEVELOPMENT

Fox News está desenvolvendo uma série proposta pelo editor chefe do TMZ, Harvey Levin, produzida pela Warner Bros (empresa irmã da CNN). Chama-se OBJECTified e retrata celebridades em suas casas contando a história de suas vidas através de seus objetos mais preciosos. O “piloto” foi ao ar em Novembro, foi sobre Trump e um sucesso de audiência.

Uma série relevante com o momento de mobilização feminina é Dot, uma antologia de 50 episódios sobre questões da mulher, especialmente o aborto. É ficção, baseada em casos reais e cada episódio vai focar num estado americano. O piloto se passa no Texas e a história é a de uma estudante que fica grávida e o conflito que se segue é provocado pelo estado e não a família. De Allysa Bennett.

Em linha com o momento americano, também se nota uma tendência de séries com temas raciais. O Showtime desenvolve The Ali Summit, sobre o apoio que 11 atletas negros deram a Muhammed Ali contra a guerra do Vietnã; The Chi, sobre uma jovem negra crescendo em Chicago e Guerrilla, uma minissérie sobre a  Black Power Desk, unidade de inteligência criada para acabar com ativismo negro nos anos 70. A Fox estreia em Março Shots Fired, uma minissérie que examina as consequencias de dois ataques da polícia contra negros.  A Netflix também está fazendo uma comédia  baseada em Dear White People. E o Bravo  vai desenvolver uma série com Whoopi Goldberg sobre um bandido do Harlem e o filho de ambições políticas que se passa por branco.

A revista Sports Illustrated e o produtor Jerry Bruckheimer vão desenvolver uma série de TV sobre o envolvimento de atletas em atividades criminosas e infrações, Sports Illustrated True Crime.
FOOD FOR THOUGHT
Se você tiver 15 minutos para assistir este vídeo sobre a TV depois do sucesso de Google, Facebook, Netflix, AirBnb e Uber, vale a pena. É uma análise sobre mídia e tecnologia, uma “big idea“, de uma palestra que aconteceu na Code Media (Recode).