semana de 3 de julho – realities de verão, Disney perde audiência, CNN vs Trump, relevância da crítica de TV

NA TV e EM OUTRAS PLATAFORMAS

O verão na TV é praticamente todo feito de realities (mais algumas boas séries) e eles são diários. Alguns são conhecidos, como Big Brother, America’s Got Talent, Bachelorette e Master Chef.  Outros, novidade, como o que vai criar uma Boy Band, revelar inventos (Funderdome), descobrir os melhores dançarinos do mundo (World of Dance),  descobrir o que fazer diante de um dilema (What Would you Do?) ou Candy Crush (sim, o game).  Aliás, jogos tem sua categoria própria: Hollywood Game Night, Who’s Line is It Anyway?, America Ninja Warrior ou Lip Sync Battle. E ainda há remakes: Battle of The Networks Starts (estrelas de todos os canais competem em provas de atletismo), The $100000 Pyramid  ou o Gong Show e Love Connection.  E, correndo por fora, o de culinária inglês, que provavelmente é o melhor de todos, Great British Bake Show.

Das boas séries no ar, Younger, um guilty pleasure, estreou sua terceira temporada no TV Land, com audiiencia em alta e um after show no Facebook Live, Getting Younger. Durante toda a estreia na semana passada, elenco assistia o episódios “juntos com a audiência” numa festa, chamando para o aftershow.

No dia da independência, 4 de Julho, a tradição na PBS  é o musical (Capitol Fourth) com os fogos de artificio de Washington e a tradição na NBC, o musical (Macy’s 4th of July Fireworks Spectacular) com os fogos de artificio de NY. A audiência da NBC foi um pouco menor que a do ano passado, 6.4MM. Mas na HBO, um documentário completamente diferente: The Words That Built America, onde a Declaração de Independência e a Constituição (o livro mais sagrado dos americanos) são lidas, palavra por palavra, por todos os  presidentes vivos, vices, senadores, Hillary, atores e personalidades. O doc é de Alexandra Pelosi (e é chatíssimo).

 

NOTICIAS

No Wall Street Journal desta semana, um destaque para a notícia de que as crianças estavam deixando os canais Disney. A queda de audiência não atinge só a ESPN, mas também Disney Channel e Freeform (menos 34% em relação a 2016 entre 2-34 anos). E foram mais de 4 milhões de assinantes a menos nos últimos três anos. Por que isso importa? porque a nova geração está migrando para YouTube e Netflix

A indústria de TV paga projeta uma perda de 10.8 milhões de assinantes até 2021. Hoje, todos os cinco maiores provedores de TV paga nos EUA agora estão oferecendo skinny bundles (um pacote mais barato com menos canais – o skinny bundle custa certa de U$40 por mês, enquanto o pacote médio custa US $103/mês). The Skinny Revolution é um bom artigo que resume a situação.

Na tentativa de driblar a queda geral de audiência da TV, o AMC fez uma parceria com a Comcast onde está oferecendo um upgrade ao assinante para ter o canal sem comerciais. Se vale à pena adicionar mais $4.99 ao pacote mensal? Se me perguntam, vai ser preciso oferecer mais do que apenas tirar os comerciais. Como o tempo no ar será mais curto, eles devem cobrir os 8 minutos com entrevistas e cenas extras.

Trump é um bully e um narcisista, que não suporta jornalismo crítico, ainda mais se vem de Jeff Zucker, presidente da CNN, que Trump toma como afronta pessoal. O foco da ira maior do presidente é a CNN e o jogo está ficando perigoso, por causa do video que faz parecer que ele nocateuia a CNN que ele tuitou no fim de semana. A história é entediante, mas para quem quiser saber um pouco mais, a matéria do NYTimes de quinta explica, do ponto de vista da CNN e como o presidente vai usar isso no deal da Time Warner (dona da CNN) com AT&T. .

O jornalismo da MTV americana está sendo reestruturado para focar em vídeos curtos e ficar mais jovem.  A mudança chega sete meses depois de Chris McCarthy ter sido nomeado presidente da MTV, e na sequência de uma reorganização do departamento de programação linear da rede. A transição verá os recursos mudarem do jornalismo de longa data para o desenvolvimento de peças de vídeo de formato curto.

Game of Thrones: the Exhibition Tour será uma exposição itinerante mundial da série que começa no outono na Europa. Serão mais de 1000 metros quadrados de instalação interativa.

Tesla está conversando com as gravadoras para criar seu próprio serviço de streaming. A empresa de Elon Musk quer licenciar um serviço proprietário para ser disponibilizado em seus carros, já equipados com painel de alta tecnologia

Com o aumento da diversidade no ar, o USAToday fez uma análise de audiência interessante de acordo com raça. This is Us e Walking Dead são os mais populares, mas nenhum programa é unânime entre brancos, negros, asiáticos e hispânicos.  Africanos-Americanos vem TV mais que qualquer outro grupo (44h por semana). Asiáticos-Americanos vem menos (15h por semana).

Mais uma celebridade criando um site de estilo de vida: Lindsay Lohan. Por $2.99 por mês, você pode saber tudo que se passa no fascinante mundo de uma ex-estrela, que promete apresentar uma linha de jóias, dietas e tudo mais.

 

DESENVOLVIMENTO

 Amazon está produzindo uma docu-série sobre o Tour de France e o que comem os ciclistas profissionais. A série será conduzida por Hannah Grant, conhecida como a Rainha da Culinária pró-Performance entre ciclistas, inspirada sem seu livro The Grand Tour Cookbook e mostrar os bastidores da alimentação dos ciclistas.

Justin Baldoni, de Jane The Virgin, está desenvolvendo um talk show masculino sobre o papel do homem nos dias de hoje. The Men’s Room será baseado nas conversas que ele mesmo tem com seus seguidores em redes sociais, sobre redefinição da masculinidade, do “empoderamento” feminino, casamento e paternidade. Ainda não tem parceiro de exibição.

Dois originais de não-ficção do Facebook estão em produção. O primeiro é Returning the Favor, onde Mike Rowe (apresentador do Discovery) viaja pelo país em busca de gente que está fazendo algo pela cidade/comunidade. O segundo ainda não tem nome e é uma docu-série sobre os irmãos Ball, Lonzo, Liangelo e LaMelo, que viraram estrelas instantâneas do basquete.

Netflix continua em clima de nostalgia e vai produzir uma comédia sobre dois grupos de estudantes que crescem nos anos 90 e que se confrontam: um do grupo é de teatro e outro de áudio visual. Chama-se Everything Sucks.

 

FOOD FOR THOUGHT

O principal crítico de TV do Hollywood Reporter faz uma análise que faz sentido nesta época de Peak TV: como os hábitos de consumo mudaram, tudo é mais ou menos perene.  Assim, a estréia não faz muita diferença, nem mesmo para a crítica de TV.

Outra coisa que não faz muito sentido nesta época de streaming são os créditos de abertura.  Se assistimos 3-4 episódios de uma vez só, os créditos de abertura interrompem a história. E como Netflix pensa no consumidor primeiro, eles já estão ativando o botão de skip intro. Aqui, a longa explicação do Verge.