semana 8 de Abril – Tribeca, a volta da reality TV, Cohens, inclusion rider e revisionismos

TELEVISÃO E NÃO LINEAR

Abril é Financial Literacy Month aqui nos EUA e, para celebrar, a consultora Beth Kobliner lançou em seu canal no YouTube uma campanha fofíssima com Kate McKinnon (Saturday Night Live) com 3 crianças de 7 anos sobre a importância de se conversar sobre finanças desde cedo.

Semana que vem rola o Tribeca Film Festival que vem se consolidando como uma boa plataforma de lançamento para séries. Ano passado o mega-sucesso The Handsmaid’s Tale (Hulu) fez seu debut por lá. Também estrearam no festival de Robert DeNiro séries como The Sinner (USA) e The Night Of (HBO). Esse ano algumas séries aguardadas farão o mesmo: Rest in Power: the Trayvon Martin Story, produzida por Jay-Z sobre um jovem negro vítima de brutalidade policial, Cobra Kai, sequel de Karate Kid para o YouTube Red e Genius: Picasso para o NatGeo.

Westworld (HBO) – que terá exibido o primeiro episódio de sua segunda temporada também no Tribeca – fez um primeiro de abril atrasado na segunda-feira. Postaram no YouTube um video prometendo revelar os principais plot points da temporada… só para no meio lançar um Rick Astley cantado por Evan Rachel Wood. Sensacional!

O Washington Post publicou um belo doc sobre como os alunos por trás do jornal da Marjory Stoneman Douglas processaram seu luto através do jornalismo após o trágico tiroteio ocorrido dentro da escola.

A “volta” do Reality:
O universo extendido das Kardashians está aí pra provar que o unscripted format nunca morreu de verdade, no entanto diversos fatores apontam para um ressurgimento global do gênero graças ao digital não-linear:

  • Netflix, que antes menosprezava unscripted, renovou para uma segunda temporada os hits Nailed it! e o remake de Queer Eye for the straight guy e vem adicionando diversos programas deste formato em sua lineup

Essa matéria no Hollywood Reporter explora mais a tendência, comentando seu possível impacto no MipTV em Cannes.

 

NOTÍCIAS

Martin Scorsese irá dirigir um especial sobre o SecondCityTV para a Netflix,  programa canadense cult de esquetes que revelou John Candy e Harold Ramis. Será gravado em frente a uma platéia e contará com alguns dos atores que fizeram parte do elenco entre 1976 e 1984 num bate-papo moderado por Jimmy Kimmel.

Falando nele, o apresentador da ABC passou a semana trocando farpas com Sean Hannity,  âncora da FOX NEWS. A situação foi ficando feia e quando parecia que ia sair de controle… os dois resolveram fazer uma trégua e acalmar os ânimos. Hannity até convidou Jimmy a ir ao programa dele. Vai entender…

Inclusion Rider: 1 mês depois do épico discurso de Frances McDormand nos Oscars colocar o termo no léxico americano… pouco de substancial aconteceu quanto a adoção do mesmo nas produções. A agência de talento WME soltou um documento interno determinando que seus agentes trabalhem pela inclusão dos tais inclusion riders. Na terça-feira Joel Cohen, marido de McDormand, também anunciou que o adotará nas futuras produções dos Irmãos Cohen. Já os estúdios e sindicatos elogiam as ações, mas evitam se comprometer.

A NBCUniversal revelou algumas fotos do novo complexo da Telemundo aqui em Miami. Instalado num terreno de 21 acres, o Telemundo Center custou US$250 milhões e abrigará 1,500 funcionários entre escritórios e 15 estúdios moderníssimos, com direito a sets de Realidade Aumentada e Realidade Virtual. O primeiro grande evento da emissora – com sede aqui há 30 anos – será a Copa do Mundo FIFA 2018 na Russia, cujo os direitos exclusivos para linguagem espanhola, é claro, é da emissora latina.

No NAB Show 2018 em Las Vegas esta semana, diretores de fotografia expressaram preocupação com a excessiva manipulação de imagens na pós-produção. A reclamação é puramente técnica, mas há toda uma questão ética também por trás deste assunto. Este artigo da Motherboard sobre o acelerado aperfeiçoamento de deepfakes por conta da indústria pornô na internet – sempre ela – é alarmante.

FOX Searchlight lançou seu braço televisivo. O foco será desenvolver para a televisão as propriedades intelectuais do seu catálogo cinematográfico.

 

FOOD FOR THOUGHT

Numa época onde somos forçados a fazer tanto revisionismo, Molly Ringwald, a eterna garota de rosa shocking, nos mostra como fazer isso com classe ao revisitar The Breakfast Club e outros filmes do saudoso John Hughes para a New Yorker sob o prisma do movimento #MeeToo. Excelente leitura sobre como não apagar a história, aprendendo a conciliar coisas que amamos com nossas oposições a uma parte delas.