semana de 11 de junho – 2 bons formatos, 73 perguntas para gisele, 6 boas leituras (netflix por dentro, cco da amazon, novo projeto de shonda, o blefe da vice)

BRAINFOOD

Apesar de ter sido uma semana com foco em conglomerados de mídia  (AT&T finalizou a compra da Time Warner por $85.4 bi) e a Comcast fez uma oferta à 21st Century Fox de $65bi cash, foi uma semana de boas e longas leituras, principalmente sobre os streamers. Escolhi 6:

A matéria de capa da New York/Vulture Inside The Binge Factory,  é um de seus artigos é sobre a estratégia de programação do Netflix, uma empresa que tem a extraordinaria habilidade de analisar hábitos de 125 milhões de pessoas, mas insiste em dizer que a “decisão de programação é 30% dados, 70% intuição”. A certo ponto, o repórter pergunta algo interessante: se o streamer não está afogando seus originais em tanto volume. E a resposta foi levemente agressiva: “A maioria dos originais do Netflix tem muito mais audiência do que se existissem em outras plataformas”. Como Netflix não fornece seus dados, isso é impossível de saber. Outra parte interessante é saber algo que (intuitivamente já se sabia), La Casa de Papel não funciona tão bem nos EUA quanto no resto do mundo. Logo, eles estão considerando fazer a versão americana.

Há também uma boa entrevista com Shonda Rhimes, que está no Netflix há 10 meses e acabou de decidir seu primeiro projeto, uma série baseada num artigo recente da New Yorker (How Anna Delvey Tricked New York’s Party People, Jessica Pressler), que narra a impressionante ascensão e queda de Anna Delvey. Delvey mentiu que era uma rica herdeira alemã até se tornar a “it girl” da cena social de Nova York. Roubou dezenas de milionários, bancos e amigos, dizendo que ia abrir um clube (tipo Soho House), foi acusada em Outubro e está presa.

Por fim, na mesma New York, um bom diálogo entre as duas cabeças criativas da empresa, Ted Sarandos e Cindy Holland  revela como evoluiu sua parceria (há mais de10 anos eles eram rivias).

Já a maior ameaça à Netfliz, Amazon Studios, também abriu as portas esta semana. A matéria sobre estratégia de programação que o Globo replicou do NYTimes foi uma das muitas geradas por entrevistas com Jennifer Salke. Ela tem 53 anos, é a nova Chief Creative Officer da Amazon, tem um orçamento de $4.5bi e precisar achar para jeff Bezos um super sucesso tipo Game of Thrones (por isso estão gastando $250MM com Lord of The Rings). Sua primeira decisão foi reestruturar o departamento, se cercar de bons executivos e atrair grandes talentos para o estúdio. Mais aqui no Hollywood Reporter.

Ah, a Vice…”Uma empresa montada sobre um blefe”, é como a New York descreve a Vice. Shane Smith conseguiu levantar quantias impressionantes com uma promessa que nunca vingou.   

Que hábitos de TV mudaram, já sabemos, e o que esta crônica do The Atlantic de Daniel H Pink, autor especializado em coportamento, faz é separar a produção de conteúdo hoje em dia em duas categorias, produzida para “o sofá” ou para “aparelho móvel”, TV pela atenção ou TV com intenção. E aponta a necessidade de um Netflix Mini, onde se possa encontrar programas pela duração.

 

NA TV NAO LINEAR

Este formato é para se inspirar: Red Table Talk é o primeiro programa do Facebook Watch que realmente chama a atenção. Jada Pinket Smith, que tem marido, filhos e amigos celebridades (Will, Willow, Jaden, etc.), conversa em volta de uma mesa redonda com sua mãe, algum filho e algum amigo. Vale tudo, em especial falar de sexo com os filhos. Não está disponível no Brasil, mas esta matéria do ET ilustra.

Outra do Facebook Watch chama a atenção pela inovação narrativa: SKAM é construída em parte com posts de Facebook, comentários e Instagram. Começou na Noruega, durou quatro temporadas e há algumas semanas saiu a primeira versão americana, SKAM Austin, com adolescentes verdadeiros de Austin. São clipes que seguem uma menina, Megan, num colégio. Começou como se uma cena estivesse sendo mostrada ao vivo e cada espectador descobria a historia de cada personagem acompanhando seus feeds e posts e logo se entendia o que tinha acontecido. E agora é uma novelinha digital. Em tempo, Skam em norueguês significa “vergonha”. Análise na New Yorker.
 
Por fim, o último 73 Questions da Vogue é com Gisele. Dá para ver um pouquinho de sua casa, marido e filha.